quinta-feira, março 17, 2005
MÉDIA
É impressionante como se discute, no curso universitário que frequento, estudo e pago caro, temas como o casamento, a camisinha e o aborto. E é mais impressionante ainda o fato dessa universidade estruturar uma opinião na mente de quem não tem nenhuma sobre os assuntos. Vide a minha classe, que após duas aulas discutindo sobre tais questões, se posicionou fervorosamente contra o aborto, em todos os sentidos. Me indignei silenciosamente. Agora grito através deste espaço. Vamos pensar sobre o aborto.
A prática do aborto é uma realidade no Brasil. Seria hipócrita analisar o tema de maneira pragmática e não humana, como é tratado correntemente pelos defensores da proibição do aborto. Tal discussão muitas vezes é comprometida por aspectos religiosos, políticos, históricos e culturais, prejudicando o debate.
É inegável o fato do aborto ter sido utilizado pelo nazismo a fim de conquistar a ridícula e pitoresca “raça pura”. Entretanto, comparar as intenções de Adolf Hitler com a angústia de uma mãe que terá de levar no útero, um feto que, em vez de proporcionar a vida, será protagonista de um funeral hospitalar é, no mínimo, injusto.
Analisando as clínicas de aborto, é fácil chegar a uma simples constatação: Com o aborto sendo feito clandestinamente, as mãe com maior poder aquisitivo se beneficiam por terem condição financeira de pagar uma boa estrutura cirúrgica, ao mesmo tempo em que pobres mães chegam a ter suas vidas ameaçadas em precárias instalações médicas.
Na argumentação da ala contra o aborto, repara-se um discurso simplista, recheado de chavões como: “o direito a vida é a prioridade” ou “nada justifica tirar a vida de alguém”. Ora, a ausência de cérebro mata o feto durante a gravidez ou, no máximo, nos primeiros dez minutos após o parto. Não existe cura nem tratamento e o risco de morte é de 100%. Qual o sentido, fora das premissas religiosas, de obrigar uma mulher manter uma gestação assim? A vertente religiosa da discussão diz que a gravidez deve ser mantida em nome da vida. Bonito. Contudo, quem levanta a bandeira da vida, tem de ver a vida da futura ex-mãe, que não tendo nenhuma escolha feliz possível, deve ao menos ter o direito de escolha sobre prolongar ou encurtar o sofrimento.
Assim sendo, o conceito de liberdade passa obrigatoriamente pelo direito que cada indivíduo possui de fazer do seu corpo o que julga melhor. A existência de uma lei que reprime e julga um cidadão pelo que ele faz com seu próprio corpo se torna, portanto, contraditória em um sistema que se diz democrático.
Camilo Pinheiro Machado
É impressionante como se discute, no curso universitário que frequento, estudo e pago caro, temas como o casamento, a camisinha e o aborto. E é mais impressionante ainda o fato dessa universidade estruturar uma opinião na mente de quem não tem nenhuma sobre os assuntos. Vide a minha classe, que após duas aulas discutindo sobre tais questões, se posicionou fervorosamente contra o aborto, em todos os sentidos. Me indignei silenciosamente. Agora grito através deste espaço. Vamos pensar sobre o aborto.
A prática do aborto é uma realidade no Brasil. Seria hipócrita analisar o tema de maneira pragmática e não humana, como é tratado correntemente pelos defensores da proibição do aborto. Tal discussão muitas vezes é comprometida por aspectos religiosos, políticos, históricos e culturais, prejudicando o debate.
É inegável o fato do aborto ter sido utilizado pelo nazismo a fim de conquistar a ridícula e pitoresca “raça pura”. Entretanto, comparar as intenções de Adolf Hitler com a angústia de uma mãe que terá de levar no útero, um feto que, em vez de proporcionar a vida, será protagonista de um funeral hospitalar é, no mínimo, injusto.
Analisando as clínicas de aborto, é fácil chegar a uma simples constatação: Com o aborto sendo feito clandestinamente, as mãe com maior poder aquisitivo se beneficiam por terem condição financeira de pagar uma boa estrutura cirúrgica, ao mesmo tempo em que pobres mães chegam a ter suas vidas ameaçadas em precárias instalações médicas.
Na argumentação da ala contra o aborto, repara-se um discurso simplista, recheado de chavões como: “o direito a vida é a prioridade” ou “nada justifica tirar a vida de alguém”. Ora, a ausência de cérebro mata o feto durante a gravidez ou, no máximo, nos primeiros dez minutos após o parto. Não existe cura nem tratamento e o risco de morte é de 100%. Qual o sentido, fora das premissas religiosas, de obrigar uma mulher manter uma gestação assim? A vertente religiosa da discussão diz que a gravidez deve ser mantida em nome da vida. Bonito. Contudo, quem levanta a bandeira da vida, tem de ver a vida da futura ex-mãe, que não tendo nenhuma escolha feliz possível, deve ao menos ter o direito de escolha sobre prolongar ou encurtar o sofrimento.
Assim sendo, o conceito de liberdade passa obrigatoriamente pelo direito que cada indivíduo possui de fazer do seu corpo o que julga melhor. A existência de uma lei que reprime e julga um cidadão pelo que ele faz com seu próprio corpo se torna, portanto, contraditória em um sistema que se diz democrático.
Camilo Pinheiro Machado
sábado, março 12, 2005
RÁPIDAS
É bem verdade que eu não tinha um real na carteira, estava cansado e tinha aula às sete horas da matina no outro dia. Mas não foi por isso que não saí.
"Camilo, partiu chorinho na Lapa... Chorinho é irado!" - falou o especialista. Fiquei pensando sobre sua frase. É irado achar chorinho irado. É brasileiro por raíz, agradável de se ouvir e seria para os anti-pagodeiros uma defesa , mostrando que um cavaquinho bem tocado tem o seu valor.
Mas então compre um cd de chorinho. Me diga o nome de cinco grandes nomes da matéria. Aponte tendências no gênero. Silêncio mortal.
Foda-se, chorinho é irado, uma roda de choro é muito irada, a gente fica bebendo uma cerveja e ouvindo, é irado, é irado, bróderrr. É mesmo? Quantos anos vocês têm? 19? Então vai se fuder, vai caçar uma mulher numa boite, rapá!!!!
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A Nazaré não tinha que morrer. O Giová não tinha que casar com a Chata do Carmo. O Lima Duarte nào tinha que imitar o Severino Cavalcanti.
E eu nào tinha que ter assistido somente o último capítulo da novela que a Renata Sorrah tomou conta.
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Maracanã, Botafogo x Flamengo, arquibancada lotada. Diálogo de dois flamenguistas adolescentes, aparentando uma razoável condição financeira:
- Ainda bem que esse Ramon do Botafogo é uma merda, né....
- É mesmo, vamos fazer uma comunidade no ORKUT "Eu odeio Ramon do Botafogo"
Nada a ver fala de orkut no templo de Garrincha, Zico e Romário.
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Em entrevista à VEJA o presidente da Câmara dos deputados explana sua visão sobre o regime militar no país entre 64 e o começo dos anos 80:
"O regime prestou grandes serviços ao país, principalmente porque ajudou à espantar os comunistas da época."
O nome dele é Severino Cavalcanti. Ele é do PP, partido do Maluf. Também era da ARENA, partido de uma galera militar como ACM, Fleury, Sarney e o próprio Paulo Maluf.